upon the sky,


Bicicleta neurótica, garotas nervosas (…)
Novembro 9, 2009, 7:32 pm
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Para Pietro Mayer e Danielle Cristina



Poderia ser como todos os outros dias. Caminhariam sem cessar, procurando risadas em momentos banais, procurando algo que não sabiam bem o que queriam encontrar. Poderia ser, e se poderia. Mas não foi. Encontraram o que queriam, em alguém que não sabiam desejar.
Poderia ser como todos os outros dias. Almoçariam em meio a desconhecidos íntimos, almas que as observavam. Poderia ser, e foi, até então.
Poderia ser como todos os outros dias. Poderia ser como todas as outras vezes em que haviam visitado aquela livraria. Andariam pelos dois andares, em busca de algo que fosse bom o suficiente para presentear a alguém. Poderia ser, e não foi. Sempre há um, porém, um alguém que surge, e este alguém, também procuravam por elas. Sem saber.
Poderia ser como todos os outros dias. Procurariam entre as prateleiras, rindo do que viam, lembrando de pessoas que detestariam, e detestavam desde outras vidas. Mas ele estava ali, esperando por elas. Procuravam o mesmo, eram almas que estavam destinadas a se encontrarem. Sentiu a troca de olhar no mesmo objeto de desejo, e juntos, soltaram um brilho radiante. Era inevitável, dia ou outro, encontrar-se-iam em alguma esquina de seus destinos. Suas mãos tocaram, sentiu sua presença, e então olhou para o lado, e sorriu.
- Este é meu – ele disse em tom de possessividade total.
- Este é meu – ela disse no mesmo tom.
Poderia ser como todos os outros dias, se não quisessem o mesmo. Riram como duas crianças que se conheciam a tempo.
- Garotas das caminhadas? – ele perguntou
- Garoto da bicicleta? – elas complementaram.
Riram como crianças que se conheciam a tempo. É, poderia ser isso mesmo. Estavam destinados desde outras vidas, só se esperava o momento certo, o momento onde ambos quisessem o mesmo. E queriam. Queriam viver, conversar, passar a tarde deitados no chão de um apartamento vazio, assistindo o filme que todos ali queriam. Queriam era alguém que os entendesse os seus problemas, os seus vazios. Queriam apenas viver, sentir a felicidade em suas mãos.
Poderia ser como todos os outros dias. Mas não foi. Porque este era destinado ao início de sua amizade, ao seu encontro. Onde duas almas cansadas de tanta busca, acabaram por se cruzar. E continuavam ali, deitados, sorrindo calados para o destino que havia lhes aprontado outra.