Acordou, e devido a certo receio, tentava permanecer com os olhos fechados pelo máximo de tempo possível. Passaram-se horas, e horas, e horas. Continuava ali enrolada em seus edredons, com medo de que tudo fosse diferente, não queria despertar para seu maior pesadelo, outra vez.
Insistiram, pediram para que ela se levantasse. As vozes pelo corredor cada vez iam se tornando mais altas, pensou que era um jeito de fazê-la despertar por completo. Abriram as cortinas para que o sol entrasse em seu quarto. Mas nem mesmo o dia mais bonito, com aquele céu azul que ela tanto admirava, sem nuvens, apenas brilhando a cor celeste, nada disso conseguiu tirá-la da sua cama. Tinha medo, e não queria contar a todos sobre o medo que tinha. Iam dizer que era bobagem, que era invenção da sua mente, que era muito pouco para sofrer. Porém, em seu coração, era muito.
Quando abriu os olhos, correu para a tela de seu celular: nenhuma ligação, nenhuma mensagem. Continuou olhando fixa para o visor, esperando que alguma notícia chegasse a qualquer instante. Sentou-se em sua poltrona azul, e começou a reparar como tudo ao seu redor havia perdido a cor. As vidas pareciam mais apagadas, desbotadas, escuras. Não tinha vontade de sorrir, de se arrumar, de viver. Todos ao seu redor começaram a perguntar o motivo daquela tristeza, ela só conseguia dizer – logo ele volta, logo logo.
Outra vez, acabou notando como a sua presença lhe fazia mais feliz, por mais subjetivo que isso parecesse. Só queria estar com ele para sempre, não soltá-lo, não deixá-lo partir. Ele longe, só comprovava novamente o que já tinha em mente – ele era sua vida, e isso, não podia negar.