E se a vida fosse uma grande tela branca, onde o coração palpita e dita a tonalidade certa para se usar, imagino então, como seria minha obra final.
Penso que poderia ser uma grande embarcação, com almas jamais notadas, enfileiradas e enumeradas de acordo com a intensidade de seus sentimentos. Feito animais, brigariam por conseguir o mais alto posto. No topo da polpa, estaria um pequeno brilho, qual seria meu coração.
Meu coração seria apenas mais um detalhe a se contemplar na obra, sabendo que esta por sua vez, estava apenas relacionada a arte, e pouco da realidade possuía, já que não existem números brigando pelo meu órgão involuntário.
Órgão involuntário, digo, porque não deixa minhas razões comandarem suas vontades. Quando queres amarelo, não pensa duas vezes, mesmo sabendo do quão arriscado seria. Quando queres embarcar em grandes olhos azuis, não pensa novamente, porque só consegue avistar um possível lar.
Lar, que talvez ainda desconheça, ainda não saiba a real essência por trás de três letras acopladas. Lar que certamente, nunca tive.
(e se) Nunca tive, então não sei ao certo qual seria a conseqüência de mergulhar nos olhos cintilantes, então por que não arriscar? Melhor seria um arrependimento momentâneo, do que uma insatisfação tardia que me atormentaria todas as vezes que resolvesse pousar meus pensamentos sobre a cama.
A cama onde um dia sonhei em ter seus braços ao meu redor, acalentando minha angústia e mostrando que a realidade, não era tão ruim assim.
Não era, e sabia disso. Apesar de ainda desejar com todas as forças seu abraço, sua doce melodia de palavras calmas. Só queria me afundar em seus olhos, e quando alcançasse meu destino, dali não sairia apenas se fosse a sua vontade.
Temo que a sua vontade seja outra, sei que é. Temo em perguntar, temo em tentar, temo em sentir. Temo por simplesmente amar, e continuar aqui.
E se a vida fosse uma grande tela branca? Pintaria com todas as cores, mostrando que ali, seria nosso paraíso. Ali. Somente ali.