Esperava que esse dia chegasse. Rodava mundos, girava em canções de si menor, feito bailarina faceira de caixinha de música. Tinha aparência delicada, frágil como se qualquer toque severo pudesse destruí-la. Tinha olhos grandes e brilhantes, feito duas esmeraldas recém encontradas. Tinha também um brilho diferente, como se chamasse a atenção de pessoas de bom coração, puros, que estivessem dispostos a amá-la. Chamava atenção também, daqueles que queriam fazê-la sofrer, e desses, tinha aos montes.
De tão exímia fragilidade, poucos faziam questão de protegê-la, poucos sabiam os limites de seu coração, que era exatamente como sua aparência – frágil delicado e facilmente destruído em pequenos pedaços.
Não conseguia abrigar mais do que um sentimento, de tão pequenina que era. Havia momentos que chegava a ficar púrpura de tanto rancor, tanto ódio e principalmente tanta indecisão. Mas ainda assim, havia poucas coisas que lhe acalmavam, e entre soluços e tristezas, brilhava sua felicidade, com os olhos radiantes, hipnotizando. Apaixonando.
Ainda assim, havia algo naquele pequeno coração, que palpitava que acelerava e dilacerava momentaneamente. Havia amores que guardava. E poucos estes, conseguiam sentir sua presença, e perceber seus sinais. E havia um que prestava atenção nestes sinais, fazia dela seu caminho, e sua alegria. Amava a de todas as formas, de cabelos arrumados ou emaranhados, de roupas largas quais fossem de sorrisos ou lágrimas enfeitiçando teu olhar.
Havia alguém que não queria perder a presença, queria protegê-la a todo custo. Havia alguém que daria a vida para vê-la dançar novamente, com aquele sorriso suave brincando com a brisa. E este alguém, havia convencido-a de que estava pronto para tudo, de que valeria a pena. E se não valesse, ainda existiam outros sentimentos espalhados pelo mundo, prontos para serem descobertos. Não havia mais limites, estavam presos, e não podiam sair daquela mágica proteção, qual era amar.